terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

CORRENTES INVISÍVEIS

Imagem Google - Autoria Desconhecida



Ontem vi um pedaço daquela novela das 18h, que trata das relações entre negros e brancos, independente de serem livres ou não... e imaginei qual seria o sentimento daquelas "libertas", ainda sob o jugo da subserviência ao "poderio branco", no qual  além de todas as ostentações de poder (por parte deles),  ainda viam-se obrigadas (por falta de escolha/ "determinismo") a continuarem "servindo sexualmente" aos seus "ex-senhores", para terem um teto sobre suas cabeças e um pouco de comida para sustentar seus corpos e de seus filhos bastardos. No entanto eram totalmente desprovidas de qualquer anseio de serem amadas, respeitadas ou reconhecidas como "suas senhoras" ou,  pelo menos, como seres humanos...
                                                         
Ponderei o porque de ainda nos dias atuais, tanto homens como mulheres (classificados como livres), permitirem-se ser "mutilados" e "degradados" com a passagem do tempo, inertes como estátuas. Enquanto suas vidas se arrastam por  sendas das quais reconhecem os desfechos de opressão, de exploração e de desrespeito aos direitos humanos básicos.

Sabedores que são de seu direito de ir e vir (reconhecidos pela Carta Magna) permitem-se ser escravizados pela  aquiescencia tácita e pelo respeito aos limites ditados pela "liberdade vigiada", a qual vivenciam na vida pessoal, profissional, emocional, religiosa.  

Por conta de suas  posturas enxergam-se indignos  de oportunidades e tratamento positivamente diferenciados.

O ato de acatar compassivamente os desmandos e desrespeitos das pequenas e grandes autoridades instituídas, acreditando que o "status quo", é consequencia natural do seu tom de pele, das suas origens sociais, raciais ou de sua culpa religiosa, pode ser considerada uma  atitude covardemente simplista. 

A liberdade que foi concedida pela a Lei Aurea, na teoria, libertou os negros e sua descendência da escravidão, mas na prática, a escravidão permanece, não apenas para os afrodescendentes, mas para todos os desfavorecidos  (socio culturalmente falando), pois existem brancos, indíos, negros, mulatos e mamelucos que ainda sofrem todo o tipo de discriminações e abusos, devido às suas origens. 

Foram-lhes subtraidos boa parte dos direitos humanos básicos (educação de qualidade, moradia digna e segura, transporte coletivo de qualidade, saúde pública, etc). 

Mas todas essas carências passam despercebidas aos olhos de quem as sofre, tendo em vista que o paternalismo governamental ou "eleitoreiro" encobre seus olhos com toda a sorte de benefícios sociais (que são válidos, sim!), mas que não os provém do básico necessário (dignidade e autosuficiência) e,  ainda onera os cofres públicos (porque de onde se tira e não se repõe, o que acontece?).

Sem querer ser taxativa ou dramática, me permito a conclusão de que talvez, só talvez, a cultura dos tais "antigos escravos da casa grande" ( que se contentavam com a ilusão de uma vida digna e segura - junto aos seus senhores - mas cientes da realidade de que NUNCA poderiam angariar tal prêmio, pois tudo dependia do "determinismo" do Todo Poderoso ou das benesses do "Senhor Feudal"...) ainda permanece entre nós, com suas correntes invisíveis... Boa semana!

12 comentários:

  1. Olá, Tudo bem ?
    Primeiramente, parabéns pelo blog, estou seguindo e indicando.

    venho lhe fazer um convite muito especial, será um prazer ter sua presença e opinião meu humilde blog.
    http://jonathanejonathan.blogspot.com.br/

    Um Grande abraço;

    Caio J.
    Skype - caiojonathan

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caio, agradeço a visita e cometário. Tb estou seguindo teu blog. Gostei muito! Um abraço

      Excluir
  2. Melhor ser escravo dos canaviais e ter força para fazer uma revolução movido pela raiva de ser injustiçado, do que ser escravo da casa e viver submisso aceitando as migalhas que recebe. O capitalismo produz os escravos da casa e são eles mesmos que sustentam seus senhores, enquanto vão pisando nos escravos do canaviais que quando tiverem noção da sua força poderão mudar o mundo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Agradeço a visita e comentário.

      Excluir
    2. Qual surpresa em ver que esse comentário é meu! Fiz em outro blog e agora vejo-o aqui! Curioso! Que bom que alguém gostou tanto a ponto de copiá-lo anonimamente.

      Excluir
    3. J.A.
      Agradeço a visita e comentário revelador, situação curiosa mesmo! O comentário é forte e suscinto. Mas o tal Anonimo deveria saber que plagiar é crime. De qualquer forma foi muito boa a tua visita e observação. E se preferir EXCLUO o comentário,ok? Me desculpe o transtorno, pois como veio Anonimo não poderia imaginar tamanha falta de ética e neste caso, vc tem todo o direito de solicitar a exclusão. Volte sempre!

      Excluir
  3. Parabéns pelo texto muito bem escrito, que mostra uma visão desprendida, consciente, esclarecida e muito realista. Eline

    ResponderExcluir
  4. Qual comentário poderia deixar de pois de ler um texto tão verdadeiro e fundamentado por razões que concordo ?
    Apenas um ! é bom ver uma jovem escritora se articular em problemas de nossa sociedade moderna, pois os problemas aqui elencados perduram até os dias de hoje.
    Parabéns mais uma vez.
    Um forte abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Antonio, Agradeço a visita e comentário generoso. Bom final de semana

      Excluir
  5. Sinceramente, o texto é bastante piegas e retrógado. Mais do mesmo. Típica obra de fanatismo dogmático: bem x mau, branco x negro, liberdade x prisão consciênte, blá blá blá...O Brasil atravessa uma fase de grandes transformações, todavia, não se altera 500 anos de história em 1 década. Certamente as pessoas que vivem marginalizadas - em sua maioria, não percebem esse fato, pois,falta educação. "...direito de ir e vir...", ora você diz que as pessoas não percebem, ora diz que elas conhecem direitos estabelecidos na Carta Magna. Muito contraditório seu texto, difícil entender sua mensagem. Já sei, você é aluna inicial do curso de direito (valeu a tentativa). Te aconselho o livro de português jurídico do Damião Henriques e, ao invés de ponderar sobre novelas (clássicas em desenvolver "ponderações" determinadas), procure livros de história, para que seu raciocínio fique verdadeiramente liberto. A tal novela das 18h mostrou apenas o período que os negros ainda estavam se organizando, sendo negligenciado (fora o movimento dos marujos) as revoltas kilombolas. Nada muda do dia para noite "jovem" escritora. Esperava como conclusão do seu confuso texto soluções para os problemas narrados. Mais do mesmo. Gustavo Lira Albuquerque

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sr. Gustavo,

      Agradeço a visita e comentário, que apesar de crítico e bastante ironico, sempre será bem vindo! Apenas evite tentar advinhar o grau de instrução alheio, pois errou feio!

      Outra coisa: também sei que nada muda da noite para o dia e é exatamente sobre isso que trata o texto; me pareceu que no seu afã de criticar, sequer leu com algum cuidado o que escrevi, pois repetiu com outras palavras o que eu havia dito.

      E quem sou eu, para me arvorar de legisladora? Apenas teci observações das "correntes invisíveis" que prendem a todos, de uma forma ou de outra.
      .
      Apenas a título de esclarecimento, o cerne do meu texto está nesta passagem: "A liberdade que foi concedida pela a Lei Aurea, na teoria, libertou os negros e sua descendência da escravidão, mas na prática, a escravidão permanece, não apenas para os afrodescendentes, mas para todos os desfavorecidos (socio culturalmente falando), pois existem brancos, indíos, negros, mulatos e mamelucos que ainda sofrem todo o tipo de discriminações e abusos, devido às suas origens.

      Foram-lhes subtraidos boa parte dos direitos humanos básicos (educação de qualidade, moradia digna e segura, transporte coletivo de qualidade, saúde pública, etc). "

      Se achou o texto piegas, desculpe por não ser tão aculturada como vc! De qualquer forma, muito obrigada!

      Excluir